PSICOPEDAGOGIA: COMO OUVIR AS NOVAS PRÁTICAS DA EDUCAÇÃO?



A Psicopedagogia muito tem auxiliado as práticas educacionais. Esta não direciona seu olhar apenas ao aluno, mas também, em como se dá a aprendizagem, e a quem conduz aprender.
Neste projeto, o ensinar sai da instituição escola, dos conceitos formais de educação, e passa a outro olhar. O Corpo, o abrigo e o mapa.

Podem as formas, durante muito tempo, permanecer as mesmas, mas como a sociedade está sempre em movimento, a mesma paisagem, a mesma configuração territorial, nos oferecem, no transcurso histórico, espaços diferentes. (SANTOS, 1996, p. 77)

Por muito tempo vimos à educação se preocupar com uma mente desconectada de um corpo vivo.
Neste projeto a preocupação foi de uma educação mais abrangente e menos cartesiana, que nada mais é do que uma resposta a uma necessidade social e humana, que enfatiza o respeito à diferença, à cultura e abrange o ciclo histórico, ecológico e filosófico do ser humano, abordando o que é mais humano no humano – o corpo.
O corpo como espaço de aprendizagem. Espaço, em educação, até então considerado como o lócus onde os processos de ensino, pesquisa e seus sujeitos habitam.

È de suma importância a relação de nossas crianças com o conhecimento e suas significações, visto que, o conhecimento é construído naturalmente e continuamente pelo sujeito, no seu viver. Contemplar o aluno como sujeito ensinante e aprendente que, muitas vezes, não se autoriza a mostrar aquilo que sabe. Dessa forma, interagir com o adolescente de modo que ele se sinta à vontade para “mostrar o que sabe” é um dos grandes desafios dessa tarefa.
À medida que o tempo passa, e que novas formas se configuram em nossa paisagem, já podemos acreditar em um movimento grupal de superação de uma visão unilateral para uma abordagem até mesmo interdisciplinar, descobrimos adolescentes cheios de movimento, de afetividade, de emoção, de sonhos, de espaço para criatividade, a ludicidade e a aprendizagem.

E qual seria a tarefa primordial da educação senão levar-nos a aprender a amar, a sonhar, a fazer nossos próprios caminhos, a descobrir novas formas de ver, de ouvir, de sentir, de perceber, a ousar pensar diferente... A sermos cada vez mais nós mesmos, aceitando o desafio do novo? (ALVES, 2005, pág. 19).

Perceber no corpo aprendiz significa olhar o humano na sua totalidade, reconhecê-lo em seus desejos, aceitá-lo em suas carências e necessidades, compreendê-lo pelas repressões sofridas e, por fim, estimulá-lo em suas potencialidades Este desafio do novo está em promover uma educação significativa, capaz de envolver o humano na sua totalidade, numa dinâmica de prazer, de alegria, de descoberta, de criatividade, escondidos no corpo, utilizando-se dele como espaço de aprendizagem. O ser humano aprendente será feliz quando lhe for possibilitada uma educação integral, onde o corpo é este espaço privilegiado de formação.

“Escutei uma vez minhas pulsações
E as pulsações foram dando forma
Ao meu ritmo
E o meu ritmo se transformou em movimento
E o movimento em possibilidade
De aproximar-se
Tocar o outro
Estar contigo
Reconhecer o gesto da alegria
E a música da tristeza
Voltar a encher de ar os pulmões
Ser uma flor
“Uma canção
“Uma pessoa”
(Richard Grimsonm, 1998)


Desta forma, encerra-se assim este projeto, vislumbrando que tenhamos conseguido plantar a semente do “desassossego” nestas crianças. E que estas continuem tendo sede em buscar o “novo” para uma educação mais ampla e merecida, e para uma construção humana de auto-realizações satisfatórias e menor objetificação do Outro.

Encerro minha fala citanda uma música Chamada “Prelúdio “de Raul Seixas:

“Sonho que se sonha só
È Só um sonho que se sonha só
Mas sonho que se sonha junto é realidade”

Aline Schwartz, Abril 2009.

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